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Hardening de Servidor Linux

Checklist prático de endurecimento para NOC de ISP — cada item com o comando real, mais contexto normativo e ferramentas de verificação.

Nesta página

1. Contexto normativo 2. Princípios — defesa em profundidade 3. SSH — o alvo nº 1 4. Usuários e privilégio 5. Serviços — desabilitar o desnecessário 6. Atualizações automáticas 7. Fail2ban — bloqueio automático 8. Parâmetros de kernel (sysctl) 9. Auditoria — auditd 10. Ferramentas de verificação — Lynis, OpenSCAP 11. Monitoramento contínuo e conformidade 12. Backup e recuperação da configuração 13. Checklist consolidado 14. Glossário 15. Referências

1. Contexto normativo

Hardening é o processo de reduzir a superfície de ataque de um sistema, desabilitando serviços desnecessários, restringindo permissões e aplicando configurações seguras. É uma prática amplamente referenciada em padrões internacionais, como:

  • CIS Benchmarks (Center for Internet Security) — referência de baselines de hardening para diversos sistemas operacionais e aplicações.
  • NIST SP 800-123 — Guide to General Server Security.
  • ISO/IEC 27001/27002 — controles de segurança da informação (Anexo A, especialmente A.9.4 e A.12).
  • PCI-DSS — para servidores que processam dados de pagamento.

Para ISPs, o hardening é especialmente crítico em servidores de FreeRADIUS, DNS e daloRADIUS, que lidam com dados pessoais e registros de conexão sujeitos à LGPD e ao Marco Civil.

2. Princípios — defesa em profundidade

O hardening não é uma ação única, mas um processo contínuo baseado em camadas de defesa:

  • Privilégio mínimo — cada usuário/processo tem apenas o acesso necessário.
  • Separação de funções — serviços diferentes em servidores diferentes (ex.: recursivo DNS separado do autoritativo).
  • Defesa em profundidade — múltiplas camadas de segurança (firewall + autenticação + auditoria).
  • Revisão contínua — hardening é cíclico: aplicar, verificar, ajustar.

3. SSH — o alvo nº 1 de qualquer servidor exposto

# /etc/ssh/sshd_config
PermitRootLogin no
PasswordAuthentication no        # só chave pública, nunca senha
PubkeyAuthentication yes
Port 2200                        # fora da porta padrão reduz ruído de scan
MaxAuthTries 3
AllowUsers admin-noc tecnico-joao
X11Forwarding no

systemctl restart sshd

Desabilitar autenticação por senha é o item de maior impacto isolado — elimina a categoria de ataque de força bruta de senha, que é a esmagadora maioria do tráfego malicioso que qualquer SSH exposto recebe.

4. Usuários e privilégio

apt install sudo
usermod -aG sudo tecnico-joao

# /etc/sudoers.d/log
Defaults logfile="/var/log/sudo.log"

# Bloquear login direto de conta de serviço
usermod -s /usr/sbin/nologin freerad

5. Serviços — desabilitar o desnecessário

# Listar tudo que está escutando porta
ss -tlnp

# Desabilitar o que não tem função real
systemctl disable --now cups avahi-daemon bluetooth 2>/dev/null

# Verificar o que inicia automaticamente no boot
systemctl list-unit-files --state=enabled

Regra prática: se você não consegue explicar por que um serviço está rodando naquele servidor específico, ele provavelmente não deveria estar.

6. Atualizações automáticas

apt install unattended-upgrades
dpkg-reconfigure -plow unattended-upgrades

# /etc/apt/apt.conf.d/50unattended-upgrades
# garantir que atualizações de segurança estão habilitadas

Trade-off: automatizar só patches de segurança é o equilíbrio recomendado — atualização total pode quebrar compatibilidade de software crítico.

7. Fail2ban — bloqueio automático de força bruta

apt install fail2ban

# /etc/fail2ban/jail.local
[sshd]
enabled = true
port = 2200
maxretry = 3
bantime = 3600
findtime = 600

systemctl restart fail2ban
fail2ban-client status sshd

Integra com iptables/nftables para bloquear IPs com tentativas repetidas.

8. Parâmetros de kernel (sysctl)

# /etc/sysctl.d/99-hardening.conf
net.ipv4.conf.all.rp_filter = 1
net.ipv4.tcp_syncookies = 1
net.ipv4.conf.all.accept_source_route = 0
net.ipv4.conf.all.accept_redirects = 0
net.ipv4.icmp_echo_ignore_broadcasts = 1
kernel.dmesg_restrict = 1

sysctl -p /etc/sysctl.d/99-hardening.conf

9. Auditoria — auditd

apt install auditd

auditctl -w /etc/passwd -p wa -k mudanca-usuarios

ausearch -k mudanca-usuarios

Relevante para rastreabilidade em servidores que lidam com dados pessoais (banco RADIUS) — em incidente, trilha de auditoria é a diferença entre investigação rápida e reconstrução às cegas.

10. Ferramentas de verificação — Lynis, OpenSCAP

Para auditar e validar o estado de hardening, ferramentas automatizadas são essenciais:

  • Lynis — auditor de segurança open source, gera relatório com índice de hardening.
  • OpenSCAP — valida conformidade com baselines SCAP (ex.: CIS, NIST).
# Lynis
apt install lynis
lynis audit system

# OpenSCAP (exemplo com baseline CIS)
apt install libopenscap8 ssg-base
oscap xccdf eval --profile cis /usr/share/ssg/ssg-ubuntu2204-ds.xml

Integre o resultado dessas ferramentas ao Zabbix ou PRTG para acompanhamento contínuo da conformidade.

11. Monitoramento contínuo e conformidade

O hardening não termina após a configuração inicial. É preciso monitorar continuamente:

  • Revisão periódica — executar Lynis/OpenSCAP mensalmente.
  • Alertas — configurar notificações para mudanças em arquivos críticos (via auditd, inotify).
  • Logs — centralizar e revisar logs de autenticação, sudo e falhas de acesso.

12. Backup e recuperação da configuração

Após aplicar o hardening, é crucial documentar e versionar as configurações para replicar em novos servidores ou restaurar em caso de desastre:

  • Arquivos de configuração/etc/ssh/sshd_config, /etc/sysctl.d/*.conf, /etc/fail2ban/jail.local, /etc/audit/rules.d/*.rules.
  • Uso de Ansible/Puppet — ideal para aplicar hardening de forma consistente em múltiplos servidores.
  • Backup — usar restic ou Borg com a regra 3‑2‑1‑1‑0.

13. Checklist consolidado

ItemPrioridade
☐ SSH sem senha, só chave públicaCrítica
☐ Root login desabilitadoCrítica
☐ Firewall com política padrão DROPCrítica
☐ Fail2ban ativo em serviços expostosAlta
☐ Atualizações de segurança automáticasAlta
☐ Serviços desnecessários desabilitadosAlta
☐ Auditoria de arquivo crítico habilitadaRecomendada
☐ Ferramenta de verificação (Lynis) executadaRecomendada
☐ Configurações versionadas e documentadasRecomendada

14. Glossário

Hardening Processo de reduzir a superfície de ataque e aplicar configurações seguras.
Superfície de ataque Conjunto de pontos (serviços, portas, usuários) que podem ser explorados.
Privilégio mínimo Princípio de conceder apenas o acesso necessário.
Defesa em profundidade Estratégia de múltiplas camadas de segurança.
CIS Benchmarks Baselines de configuração segura do Center for Internet Security.
Lynis Ferramenta de auditoria de segurança para Linux.
OpenSCAP Ferramenta de validação de conformidade com baselines SCAP.
Fail2ban Ferramenta que bloqueia IPs com tentativas de acesso maliciosas.
auditd Daemon de auditoria do Linux.
sysctl Mecanismo para configurar parâmetros do kernel em tempo real.

15. Referências

  • CIS Benchmarks — Center for Internet Security.
  • NIST SP 800-123 — Guide to General Server Security.
  • Documentação oficial Fail2ban, auditd, unattended-upgrades, Lynis, OpenSCAP.
  • Páginas relacionadas: Criptografia, iptables, LGPD.

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